Sonho de uma noite de verão

Final de ano chegando e alguns dos principais clubes do futebol brasileiro se preparam para as eleições de seus novos mandatários. Sempre que me deparo com esse tema, fica um sinal de alerta em minha memória com a seguinte indagação: afinal de contas, o que leva uma nova safra de candidatos a postularem os cargos de dirigentes em seus clubes sabidamente quebrados financeiramente?

Será pelo poder ou pela paixão? Status ou desafio? Vaidade ou prestigio? Conhecimento ou experiência? Interesse ou prazer?

Ou simplesmente, um sonho acordado de uma noite de verão!!

Defeitos e qualidades à parte, todos nós sabemos que ao ser reconhecido como “cartola”, certamente a pessoa acabará incorporando problemas de ordem pessoal, de risco patrimonial e profissional, de momentos desagradáveis causados pelo stress do cargo, além do inevitável distanciamento com a família.

Mesmo assim e apesar dos pesares, nada disso parece inibir a vontade desses candidatos.

Na melhor das hipóteses, a possibilidade de fazer algo pelo clube do coração acaba falando sempre mais alto na hora de aceitar o desafio, assim como o fato de colocar a mão na massa, a fim de construir modelos bem sucedidos de gestão. Este lugar comum faz parte do discurso de campanha de provavelmente todos esses postulantes.

Entretanto, a responsabilidade de administrar altas cifras é enorme e dedicar tempo, esforço e trabalho sem remuneração, parecem ser pura paixão.

A atmosfera de conflitos de interesses e de vaidades e, até mesmo a da traição, são armadilhas tanto no processo eleitoral quanto no cotidiano de um clube de futebol. Portanto, na realidade, é preciso estar preparado para conviver nesse ambiente.

Na maioria das vezes o dirigente inicia seu mandato no clube com muitos aliados políticos e, quase sempre, termina o seu mandato abandonado e repudiado. Vale destacar que no futebol, assim como na política, para muitos, os fins justificam os meios.

O pensamento predominante é que em eleições só não vale perder. Para se ganhar, muitas vezes são perpetrados pactos até mesmo com o diabo. Colocam-se numa mesma trincheira adversários políticos que se unem atraídos por promessas de cargos na estrutura do clube.

Todavia, se isto de fato ocorrer, a nova gestão vivenciará alguns momentos inquietantes: o primeiro momento é de euforia pela vitória seguido de mal-estar pela constatação da realidade financeira do clube. O segundo é de perplexidade e receio diante desses resultados e de conflito interno pelas diferentes formas de pensar e agir diante das soluções possiveis. E, finalmente o terceiro, é do acirramento e de exposição dessas diferenças, da ingovernabilidade, da construção e do embate de feudos internos e proteção do “fogo amigo”.

Atualmente, é inaceitável que se admire o antigo paradigma “por amor a camisa”.

Também já não é de hoje que o futebol vem deixando vagarosamente de ser administrado por amadores, sem qualquer conhecimento profissional próprio, dirigindo, gerenciando, executando ou até mesmo presidindo, movidos tão somente pela paixão, pelo desejo de participar da administração de seu clube do coração.

A transição política que começa a ser vivida pelos clubes brasileiros, passa necessariamente com novos e modernos modelos de governança, assim como a profissionalização das gestões em diferentes departamentos, para que assim os clubes possam adaptar-se à legislação e às novas exigências do mercado.

Hoje, boa parte dos próprios dirigentes é capaz de perceber que a profissionalização é a única forma de cicatrizar as feridas de dentro para fora e que a paixão deve ficar para a torcida…..

O mercado exige que a gestão dos clubes deva ser executada por profissionais, com conhecimento, experiência e atuação full time, focada na maximização das receitas e redução dos custos, com a finalidade de melhorar cada vez mais a estrutura e obter os melhores resultados dentro de campo.

Cabe ao associado do clube em fazer a melhor opção entre as alternativas. Não se deixe levar pelo “canto das sereias” e promessas vazias. Perceba que muitos candidatos chegam desprovidos de habilidades básicas para administrar e gerir pessoas.

Por fim, cuidado com os acordos políticos fechados durante a campanha e projetos de poder dos candidatos. O passado profissional do pretendente é uma importante fonte de referência e pesquisa para prever a sua atuação futura.

Lembre-se, ao fazer sua escolha você passa a ser cúmplice do futuro do seu clube e, portanto, assim como no melhor dos romances shakespearianos, o real e o fantástico, o desejo e a razão, a sensatez e a loucura, poderão levar seu clube a um período de inevitáveis penumbras de conquistas.

Por : admin /Novembro 04, 2014 /Artigos

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