Se a moda pega!!

Por: Dagoberto Fernando dos Santos

A decisão do elenco do Grêmio Barueri de não entrar em campo contra o Operário de MT, pela quinta rodada do Grupo “B” do Campeonato Brasileiro da Série “D”, por conta de salários e direitos de imagem atrasados, protagonizando um WO, após já ter perdido os outros quatro jogos que disputou, simboliza um sinal de protesto que reforça e respalda as bandeiras do movimento do “Bom Senso F C”.

O destaque se deu, também, por conta do adversário que se solidarizou com a atitude do Barueri, que para simbolizar a morte do futebol brasileiro, deitaram-se no chão como forma de protesto pelas condições vividas pelos atletas do time paulista.

Já na semana seguinte, o presidente do clube paulista pagou apenas 20% do valor da dívida para os atletas, em detrimento do pedido do elenco de pagamento de no mínimo de 50%. Mesmo assim, os atletas resolveram entrar em campo pela sexta rodada e venceram a equipe do Tombense por 3 a 1.

Os atletas, porém, continuam alertando que enquanto não forem pagos, continuarão em estado de greve, respaldados pelo artigo 32, da Lei Pelé: “É lícito ao atleta profissional recusar competir por entidade de prática desportiva quando seus salários, no todo ou em parte, estiverem atrasados em dois ou mais meses”.

Este é apenas mais um, dentre tantos casos, em que os compromissos com os atletas não são cumpridos e que não teve a repercussão midiática devida, por se tratar de clubes que integram as divisões inferiores do Campeonato Brasileiro.

Se a moda pega, principalmente nas divisões mais importantes e, portanto, com maior exposição, o bicho vai pegar! Esses jogadores que demonstraram coragem e hombridade podem, com essa atitude, estimular pelo exemplo que outros façam o mesmo.

Esse filme é velho, os atores são amadores, o script passeia entre o drama e o suspense, mas os diálogos são de puro pastelão, cujo enredo envolve promessas não cumpridas do tipo me engana que eu gosto. Esse espetáculo está sempre em cartaz com surpresas turbulentas e reviravoltas imprevisíveis como puderam protagonizar os atletas dos clubes envolvidos nesse episódio.

Entretanto, as bolas não param por aí. O manche da cabine de comando do futebol brasileiro tem que ser pilotado por homens munidos de talento e criatividade, com os pés no chão, mas visão além das nuvens.

Qual é a imagem que estamos construindo internacionalmente? Na peneira das notícias sobre o futebol brasileiro, atualmente, só passa o que é negativo. Quem já foi para o exterior, principalmente nesses tempos de realismo virtual e notícias em tempo real, sabe que o objeto quando da abordagem sobre o futebol brasileiro é de simples diagnostico: falta de credibilidade.

O nosso futebol é absolutamente incompetente na construção da sua imagem, diante da incapacidade de conseguir mostrar ao mundo uma evolução dentro e fora do campo. Passado o naufrágio da Copa, estamos agora afogando os mitos construídos no passado e, infelizmente, começando a fazer agua com as esperanças do futuro.

Perdoem-me se o discurso é ácido, mas não vislumbro nenhuma previsão otimista. Se o exemplo do Barueri e Operário for seguido pelos atletas dos grandes clubes, será o monstro da moda e o terror da vez nos pesadelos dos nossos dirigentes. Manchetes vergonhosas enfraquecem o nosso futebol. Até quando essa ladainha vai perdurar?

Esse tipo de situação só gera cadáveres inocentes e promovem oportunistas que não se interessam por reformas, por isso não fazem nem deixam fazer o que precisa ser feito.

Portanto, chega de tanta impunidade!

O futebol protesta por organização, transparência e justiça e que nosso governo realmente interceda com leis severas contra esses dirigentes caloteiros.

Por : admin /Agosto 27, 2014 /Artigos

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