O futebol que queremos

Acho que tudo depende do que a gente quer, realmente…

Quero um futebol onde as arenas não sejam um campo de batalha, mas um encontro de amigos, onde as pessoas possam se sentir seguras e sem manifestações de racismos.

Quero um futebol onde as crianças e mulheres participem do espetáculo desportivo sem violência e que todos tenham o direito de torcer pelo seu time com paz e alegria.

Quero um futebol onde as instituições não sejam corruptas e tão pouco incompetentes, onde os dirigentes das entidades desportivas nos honrem com a sua postura e ações.

Quero um futebol onde o amadorismo seja uma palavra estranha, não esse “pão nosso de cada dia” atual, que só nos faz perder a confiança naquilo que deveria ser o nosso orgulho.

Quero um futebol, onde o primeiro avanço seja o resgate da dignidade dos seus torcedores, que na emoção de alegria ou tristeza, nivela os mais privilegiados aos mais despossuídos.

Quero que o futebol faça parte integrante de politicas públicas de educação, lazer, saúde e cidadania, porque torcedor educado é torcedor informado, lúcido e feliz e, portanto, protegido de traficantes. Ou seja, onde existir futebol, que o narcotráfico não tenha importância nem poder.

Quero um futebol transparente onde não se minta iludindo o torcedor com mudanças que, ano após ano, se acumulam como castelos de areia, causando apreensão e despertando incertezas.

Quero um futebol onde os projetos de perenidade e modernização sobre a maneira de se pensar e agir e como tratar seu torcedor não seja substituído por projetos de poder dos nossos dirigentes, movidos por um verdadeiro interesse de posse.

Quero um futebol onde haja projeto de correção de rumo na administração das entidades desportivas e, sem hesitação, se dê um novo alento aos investidores, com o senso de urgência que se precisa.

Quero um futebol onde haja real democracia, onde não se persiga quem expõe sua opinião, onde não se planeje amordaçar a imprensa, onde não haja exploração dos mais fracos e da credulidade.

Quero um futebol que não alardeie um ufanismo descabido e pobre, mas aberto ao intercâmbio a ponto de se reconhecer que é possível se aprender com outros países e ser admirado por vencer os atrasos e quebrado paradigmas ultrapassados.

Quero um futebol com clubes fortes e com possibilidade de escolher de forma lúcida e consciente aqueles que podem nos levar a posição que desejamos e de que necessitamos. Pois merecemos sentir alegria, orgulho, segurança com o futebol que precisamos reconstruir.

Quero um futebol onde o dirigente não pratique a teoria do “bolso furado”, gastando mais do que arrecada e, com isso, atrasando os salários daqueles artistas que oferecem o espetáculo.

Quero um futebol onde não haja impunidade pela gestão temerária ou fraudulenta dos dirigentes.

Nada é impossível…

Contudo, atualmente nos pautamos que o Estado é a fonte de solução de todos os problemas, mesmo sabendo que não é. Essa obsessão brasileira está em plena vigência em todos os segmentos da sociedade. No futebol, é verdade que os clubes que estão na UTI financeira, querem alterações na legislação desportiva e estão de joelhos para o Estado resolver sua divida fiscal. Mas, só é verdade porque permitimos que seja assim.

Os clubes “dormem no ponto” e não abrem os olhos para uma nova realidade e acabam tendo um Estado que lhes ensina, por meio de Lei, a correta maneira de administrar o seu negocio. Mas ainda resta rever aquele momento, do fim de um ciclo, em que a má gestão se fundiu com a baixa qualidade dos espetáculos nas quatro linhas, transformando o futebol em um negócio milionário para alguns e pobre para a grande maioria.

É incerto o futuro do futebol que depende da ajuda do cofre publico num momento eleitoral que somente será definido no 2º turno. Indefinido, porque o esporte de uma maneira geral e o futebol de modo particular não está sublinhado em nenhum plano de governo dos dois candidatos postulantes à Presidência da Republica.

Provavelmente, ambos, utilizarão esse patrimônio cultural como moeda de troca em nome da governabilidade, num presidencialismo de coalisão, visando fortalecer a sua base aliada no Congresso Nacional. Se quisermos nos igualar aos melhores entre todos, temos que fazer a nossa parte. Como? Exigindo respeito e ação.

Depende também de nós, afinal querer é poder…
Yes we can..

Por : admin /Outubro 23, 2014 /Artigos

Envie seu Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

  • DFS
  • Sobre

    A DFS Gol Business é uma empresa de caráter privado especializada em gestão e consultoria empresarial no esporte.

  • Newsletter

    Cadastre-se e receba as novidades da DFS Gol Business.