A Escola Brasileira de Futebol

Por: Dagoberto Fernando dos Santos

Começo este artigo parabenizando o técnico Ricardo Drubscky, com quem tive a oportunidade de trabalhar no Clube Atlético Paranaense (CAP), pela análise realizada do futebol envolvendo a escola brasileira do talento e a escola brasileira do jogo, durante o programa “Bate Bola” da ESPN Brasil, veiculado no último dia 20 de agosto.

Sobre esse tema escrevi, antes da Copa do Mundo, dois artigos correlatos: “Quem vem primeiro: o jogo ou o jogador” e “O craque dependência” (leiam em artigos relacionados).

Quando juntos, em 2012, classificamos o CAP para a série “A” do Campeonato Brasileiro, tínhamos como mote da campanha, que se fez vitoriosa, o jogo coletivo: a posse de bola, o jogar agrupado, verticalizado e, principalmente, com protocolos de treinamentos atualizados e bem aplicados, visando incorporar no comportamento do jogador o conceito do jogo.

Hoje, no meu ponto de vista, temos muitos técnicos e poucos treinadores. Futebol também é treinamento e repetição. Somente a repetição aprimora a habilidade, a confiança do atleta em relação a si próprio, a leitura e o entendimento do jogo a ser jogado.

Quando eu vejo artistas de teatro do mais alto gabarito destacar a importância dos ensaios antes das suas apresentações, eu ouso dizer, fazendo uma analogia com o futebol, que o jogo nada mais é do que uma peça de teatro que exige ensaios, onde cada artista conhece o enredo e o seu papel dentro dele. Por isso, é necessário treinar intensamente, para que a peça não termine sem aplausos.

Nas encenações, os atores devem respeitar um roteiro elaborado por um dramaturgo. O diretor tem o papel de fazer com que o roteiro seja cumprido nos mínimos detalhes, além de ser o responsável por dirigir os ensaios.

No futebol os atletas devem respeitar e pôr em pratica uma forma de jogar. Ao técnico cabe ser o responsável em treinar e conduzir o roteiro para que no jogo tudo seja cumprido à risca.

Entretanto, nos clubes brasileiros se treina pouco e, sobretudo, mal…

Talvez por não existir um conceito do jogo a ser perseguido, seja por falta de qualificação técnica dos responsáveis pelo treinamento ou por falta de tempo num calendário que não privilegia o espetáculo e, sim, a competição.

Quando você vai até o teatro para assistir uma peça ou mesmo a um show, você já deve ter percebido que os artistas ensaiaram antes da apresentação. Já colocaram seus instrumentos prontos e afinados para uso no local específico que cada músico ocupará no palco. Por este motivo eu pergunto: no futebol os artistas se preparam para o “show”?

Provavelmente a resposta será não, com inúmeras justificativas. Inclusive uma delas provavelmente será que o futebol, dependendo do adversário, não tem script, além de que essa comparação não se aplica a sua realidade. Eu diria que se este é o pensamento predominante, lamento informar que provavelmente o clube não está pronto para o sucesso. O treinamento para o jogo é como um diálogo que não contem palavras, no entanto, mostra a importância da cumplicidade e da interdependência entre os atletas.

Os torcedores compram os espetáculos pela emoção e plástica que eles oferecem e não simplesmente para torcer. Os clubes estão ainda em processo de descoberta deste “mistério”, mas acredito que eles irão “acordar” para o fato de que o insucesso e a desmotivação são causados por espetáculos de baixa qualidade, onde os personagens, mal ensaiados, assumem o seu papel com apresentações de baixa qualidade e com um roteiro de categoria inferior.

O treinamento para o jogo não tem contraindicação nem pré-requisito. Além de promover o conhecimento do jogo e a autoconfiança, é um exercício do coletivo sobre o individual.

Por : admin /Setembro 02, 2014 /Artigos

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