O que vem primeiro: o jogo ou o jogador?

Na lógica oculta da cultura do futebol brasileiro o jogo aparece em segundo plano. Ele é montado a partir do elenco de jogadores e, portanto, baseado nas características individuais desses atletas. Entretanto, fica uma questão: o jogo organizado a partir do elenco disponível reflete o DNA do clube? Entendemos o DNA como um conjunto de qualidades e atitudes individuais e coletivas que se identificam com a maneira pela qual a torcida deseja ver seu time jogando. Espelha uma linha de orientação visando à estruturação do modelo de jogo do clube, alinhando a cumplicidade dos profissionais com esse conceito.

Quesitos individuais como talento, competitividade, intensidade, raça, comprometimento, responsabilidade e seriedade, entre outros, são importantes na montagem do grupo de atletas. Quesitos coletivos como: ambição ofensiva, posse de bola, passes rápidos e precisos, jogo agrupado e pelos lados do campo, rapidez nas transições, futebol impositivo precisam ser definidos na gestão do futebol. Encontrar esse DNA permitirá se criar protocolos de treinamento para cada um desses fundamentos, que deverão ser trabalhados desde as categorias de formação,  de modo a uniformizar os conceitos do jogo.

O DNA do clube não pode e nem deve ser reinventado, a cada mudança da comissão técnica, caso contrário, o time ficará a mercê do técnico de plantão definindo a estratégia a ser empregada no clube, ou de um “encaixe” fortuito partindo da premissa que o futebol é uma modalidade esportiva temperada pelo imponderável, onde nem sempre vence o melhor, e onde o errado pode dar certo. Mas, neste caso, é apostar no futuro do clube.

Afinal, o time tem que ter a cara do treinador ou a cara dos jogadores? Nós entendemos que deva ter a cara do “dono”, ou seja, seu torcedor e a construção genética da forma como a torcida quer ver seu time jogando.

No futebol de base, o objetivo não é o resultado nas competições e sim, um processo contínuo de avaliação, captação, formação, treinamento e revelação do atleta por completo quanto ao comportamento pessoal e fundamentos táticos, técnicos e físicos, de modo a suprir as necessidades do elenco principal. Neste processo o item mais complexo é o da avaliação. Entretanto, para se avaliar é preciso medir, para medir é preciso definir e para definir é preciso conhecer as informações genéticas do DNA de como o clube joga. Alguns dirão que basta jogar como o time principal.

Nós entendemos que o time principal é que deve jogar como a base. Portanto, a definição do DNA do clube começa nas categorias de formação para que o atleta seja treinado para jogar da mesma maneira no time principal. Mas do que nunca é importante a alta qualificação, a capacidade de integração e cumplicidade das comissões técnicas de todas as categorias, para que haja uniformidade e coerência na aplicabilidade desses conceitos.

Para aumentar a aderência no projeto e sua estratégia, é também imperativo formar e qualificar treinadores comprometidos com essa filosofia de trabalho, e com perpesctivas de um plano de carreira no próprio clube.

Por : admin /Setembro 24, 2013 /Artigos

Envie seu Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

  • DFS
  • Sobre

    A DFS Gol Business é uma empresa de caráter privado especializada em gestão e consultoria empresarial no esporte.

  • Newsletter

    Cadastre-se e receba as novidades da DFS Gol Business.