A única coisa que não muda é que tudo muda

Futebol de Fato!

“Se você sempre faz o que sempre fez, você
sempre irá obter o que você sempre obteve”.

Já se tornou comum ouvir histórias de dirigentes que “dormem no ponto” não se dando conta da velocidade das mudanças e, quando acordam, seu clube já não consegue adaptar-se a um novo cenário. Ouço dizer constantemente desses mesmos dirigentes que: a “conta” do futebol não “fecha” sem a venda de jogadores; que esta realidade sempre foi, é, e será sempre assim; que o futebol é movido exclusivamente pela paixão; que tudo que ocorre no futebol é uma questão de raízes, de origem. Ora, se a origem de tudo fosse mantida, hoje nós seriamos macacos!

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A cultura predominante nos Clubes é que a montagem de uma equipe para disputar um campeonato significa fechar as contas em vermelho. Se essa visão prevalecer nos clubes brasileiros, o futuro do futebol estará irremediavelmente comprometido. Os potenciais investidores se afastarão e os torcedores serão contemplados com maus espetáculos e muito desconforto nos estádios.

Se, nos últimos anos os clubes de futebol têm passado por dificuldades, em parte é porque os dirigentes nunca enfrentaram corajosamente o negócio em que estão envolvidos. Durante anos prioritizaram o desempenho em campo como sendo a atividade fim do clube, sem perceber a dimensão financeira do negócio chamado futebol. Reconheciam que um clube de futebol não tem diversos objetivos por ponderar, apenas um: o resultado em campo. Muitas vezes pode parecer que havia outros, mas era um engano. Quaisquer outros objetivos poderiam ser justificados apenas pela busca indireta do principal, que era a de conquistar títulos para atender apenas a satisfação do torcedor e as vaidades pessoais dos dirigentes dos clubes.

Esta visão estratégica levou os clubes à “banca rota” cuja sobrevivência se dava por conta das vendas de seus principais jogadores que, ao invés de gerar riqueza serviam para cobrir as despesas correntes e os déficits no balanço patrimonial.

Por isso, transformar essa realidade é o grande desafio estratégico dos clubes de futebol no Brasil. Os dirigentes precisam se educar para o futuro imprevisível e, urgentemente: – aprender a traçar seus próprios prognósticos; – liderar as mudanças e não ser “engolidos” por ela; – entender que os clubes atualmente estão desorganizados para receberem o capital de parceiros investidores; – entender que a eficiência e a eficácia têm que ser perseguidas sem, contudo, se perder as raízes da paixão; – entender que nada é dado, é preciso conquistar; – ter consciência de que os clubes são o principal eixo por onde gira o futebol e, portanto são os agentes ativos desse processo de transformação; – entender e aceitar que é preciso haver uma mudança de cultura dos clubes, pois não há solução fora da organização e do profissionalismo; – liderar efetivamente o processo de transformação do seu clube, começando agora antes que seja obrigado a fazê-lo e entender finalmente, que é preciso vender o espetáculo e não os artistas, no limite, são os jogadores quem fazem a festa.

Neste novo ambiente de profissionalização do negócio futebol, objetivos como desenvolvimento e exploração da marca e do marketing esportivo, conquistas de novos mercados, a transformação do torcedor em cliente-consumidor, instalações que atraiam o torcedor aos estádios e gerem fontes alternativas de receitas, infra-estrutura para prospecção e desenvolvimento de novos talentos, gestão profissionalizada e parcerias são vitais pois mostram que o dirigente coloca também o lucro como uma das prioridades do clube e uma variável indispensável na formula de sucesso do crescimento.

A escolha entre um enunciado voltado apenas para o desempenho em campo e um que pensa em todas as partes interessadas (torcedor, atletas e parceiros) pode pesar no futuro do clube.

Saber qual dessas duas visões é à base do planejamento e da gestão faz uma grande diferença na administração do dia-a-dia, pois permitirá estar em melhores condições para julgar o que fazer e como fazê-lo.

Mais do que nunca é preciso visão, vontade, sensibilidade e entusiasmo. Visão, no sentido de distinguir e discernir sobre um novo caminho a ser seguido. Vontade, para agir com liderança, perseverança e proatividade na direção escolhida, evitando a inércia da não transformação da realidade atual na realidade desejada. Sensibilidade para vencer o imediatismo e perceber a realidade dos nossos clubes de futebol e, finalmente, entusiasmo para acreditar na capacidade de transformar as coisas, de fazer dar certo.

Estou esperançoso por uma nova legislação esportiva, encabeçada atualmente pelo Estatuto do Desporto. Porém, esta nova lei deve ser levada a sério, para que não se transforme em palanque político ou na luta da “turma do bem” contra a “turma do mal”. Vai ser a oportunidade de ouro para uma “virada de mesa” positiva do futebol brasileiro. Entretanto, não basta defender teses. É preciso praticá-las.

Para os clubes, fica a mensagem de Bill Bradley – “o sucesso não é a rapidez com que você chega ao topo, mas a rapidez com que você se recupera quando chega ao fundo.

Para os dirigentes um alerta final: quem irá inventar o clube do futuro, você ou o seu concorrente. Lembre-se, no atual cenário de mudanças aceleradas não são mais os grandes que engolem os pequenos e sim os ágeis que atropelam os lerdos.

* Este artigo representa apenas a opinião do diretor-presidente da DFS Gol Business, e não a opinião das entidades em que o referido autor esta inserido.

Por : admin /Fevereiro 02, 2004 /Artigos

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