Planejamento Estratégico

Futebol de Fato!

O planejamento estratégico para ser realizado pressupõe um intenso conhecimento do organismo do clube e das influências por ele recebidas das mudanças do ambiente nos aspectos político, econômico, social e tecnológico visando mantê-lo sempre em condições de competição. Os problemas do dia-a-dia e as pressões pelos resultados de curto prazo transformam os gestores dos clubes em “bombeiros” que passam seu tempo a “apagar incêndio” e ofuscam sua visão de longo prazo. No entanto, é fundamental para a própria sobrevivência do clube que o planejamento estratégico seja executado de forma lógica e estudado.

O clube deve ter uma visão clara, coerente e instigante de suas metas e objetivos, não apenas em função do seu mercado e da essência do seu negócio, mas também em função do aspecto financeiro. Esta visão é determinante para o alcance de uma situação desejada de um modo mais eficiente, eficaz e efetivo, com melhor concentração de esforços e recursos do clube sobre o que fazer, como, quando, para quem, por que, por quem e onde.

O planejamento não diz respeito as decisões futuras, mas às implicações futuras de decisões presentes.Logo, envolve um modo de pensar, e um salutar modo de pensar envolve indagações, e indagações envolvem questionamentos que deverão resultar de decisões presentes tomadas a partir do exame do impacto das mesmas no futuro, o que proporciona uma dimensão temporal de alto significado.

Quando submetidos à lógica da racionalidade e do domínio do conhecimento, os enigmas que desafiam a inteligência humana tornam-se menos difíceis de compreender e mais fáceis de equacionar.

Simplesmente porque se distanciam da impulsividade emocional e se aproximam do bom senso e da razão. Ao se pensar num planejamento estratégico para clubes de futebol, traça-se de imediato paralelos com empresas com fins lucrativos. Partindo de conceitos irreais, alguns imaginam os clubes de futebol à imagem e semelhança dos complexos empresariais, que trabalham em ambientes fechados, ao abrigo das condições climáticas e obedientes a ciclos de produção planejados à luz das pesquisas de demanda. Não é fácil encontrar o equilíbrio entre esses fatores quando se trata de clubes de futebol.

A indústria do futebol no Brasil está vivendo um período de transição. Enquanto atividade econômica, o futebol não possui regras claras, balizadoras e de longo prazo para nortear esta atividade. As constantes mudanças e a perspectiva de novas alterações na legislação trazem insegurança na aplicação e interpretação dos dispositivos legais de grande importância prática para o desenvolvimento de um planejamento estratégico do negócio futebol.

Além das mudanças na legislação, o calendário das competições sofre alterações anuais. Um ambiente muito instável para se planejar e dar respostas às perguntas de como formar um plantel ideal? Como negociar com a televisão? Como desenvolver campanhas para a venda antecipada de ingressos? Como definir regras de investimento para o clube? Como definir mecanismos de proteção e valorização do clube formador do atleta? Como definir regras de constituição societária do clube? Como definir regras comuns para análise e comparação dos balanços contábeis entre as associações? Entre outras perguntas que ficam difíceis de serem respondidas neste cenário nebuloso do futebol brasileiro.

Estamos na verdade diante da inexistência de um marco regulatório que deveria estar representado por um conjunto de leis e de medidas de política econômica e administrativa que resgatem a credibilidade da indústria do futebol e com isso aumente a taxa de propensão daqueles que tem a capacidade de desenvolver uma visão do futuro, que tomam decisões e que querem planejar e investir por conhecerem e acreditarem nas regras.

Neste cenário confuso, onde as variáveis ambientais externas não estão definidas, fazer um planejamento estratégico (que é uma atividade extremamente complexa em decorrência de sua própria natureza) é um trabalho de futurologia e adivinhação ou então estaremos projetando o futuro inferindo que este tende a ser igual ao passado, em sua estrutura básica.

O Governo Federal analisa agora as dificuldades que, ao longo dos anos, têm debilitado os clubes de futebol no Brasil. Esforçam-se às autoridades para corrigir distorções e já existem sinais evidentes de mudanças e a intenção clara do governo em definir uma legislação que venha representar um verdadeiro marco regulatório disciplinador do setor, clareando o cenário com regras definidas o que tornaria possível um planejamento de longo prazo de uma forma lógica e consciente o que melhoraria bastante a qualidade da gestão dos clubes.

A hora é de solucionar enigmas, substituindo reações emocionais por decisões racionais. Afinal, para se chegar onde quer que seja, não é preciso dominar a razão. Basta controlar a emoção.

* Este artigo representa apenas a opinião do diretor-presidente da DFS Gol Business, e não a opinião das entidades em que o referido autor esta inserido.

Por : admin /Abril 20, 2004 /Artigos

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