Jogando contra!

Futebol de Fato!

É possível aceitar que as empresas brasileiras são paquidérmicas por não reconhecer a oportunidade de patrocinar o atleta Robinho para mantê-lo atuando no Brasil em troca de sua imagem inquestionavelmente sem rejeição, carismática, um exemplo de adolescente que saiu do nada para o tudo e, capaz de alimentar a esperança de um futuro para muitos jovens excluídos por uma sociedade selvagem.

É possível aceitar que as empresas ainda não perceberam que patrocinar Robinho representa um apelo social que identifica o Patrocinador como uma entidade comprometida com o povo que tem no futebol a maior das suas manifestações.

É possível aceitar que a mídia desportiva é omissa e que ao invés de proteger o futebol (que é a razão de ser da sua própria existência ) e o torcedor brasileiro (que no final é quem paga a conta) estimula e especula a saída dos ídolos em busca da notícia pela noticia, sem o alcance temporal que esse êxodo prematuro e perverso provocará na indústria do futebol brasileiro no futuro, pela ausência de ídolos que leva a perda da atratividade dos espetáculos de futebol no país.

Tudo isso é difícil de entender mas, possível de aceitar por conta de uma legislação desportiva desbalanceada que não garante artistas de qualidade para produzir espetáculos de qualidade, que não protege o clube formador e também por conta da desorganização e amadorismo dos clubes.

Entretanto, é absolutamente inaceitável que o técnico da seleção do Brasil venha a público usando órgãos de imprensa de alcance nacional recomendar, que o único jogador brasileiro que atua no Brasil a participar da seleção brasileira com méritos de ser titular pela voz do povo, faça as malas e vá logo para a Europa. A mensagem deixada, por este autentico Cavaleiro do Apocalipse, é uma agressão ao torcedor brasileiro, porque lhe tira o direito de cultuar seus ídolos. A miopia do nosso técnico, que esperamos seja apenas fora dos campos, não reconhece que a força do esporte independente de modalidade é a força dos seus ídolos e estes estão sendo induzidos a deixar o país por aqueles que tem a responsabilidade de escolher os atletas que defenderão a nossa hegemonia no futebol.

Ele argumenta ainda que a Europa agrega experiência pelo fato de ter mais organização, treinamento melhores, amadurecimento precoce dos atletas e portanto os jogadores que atuam no Brasil estão em desvantagem na briga pela vaga para tentar o hexacampeonato mundial com o escrete nacional. Enfim, é como se no futebol brasileiro apenas existisse a seleção e que os campeonatos fossem disputados de quatro em quatro anos.

Os clubes e os ídolos juntos representam o eixo em torno do qual gira a indústria do futebol nacional. Não reconhecer esta verdade é tratar o nosso torcedor não como um cliente consumidor da emoção produzida pelos clubes e pelos nossos ídolos nos campeonatos pelo Brasil mas, como agentes descartáveis que somente assumem importância enquanto torcedores da seleção.

Quando se fala que o amadurecimento e a experiência em gramados da Europa são fundamentais para nossos atletas de seleção fica no mínimo estranho explicar o sucesso da seleção brasileira de 1958, 1962 e 1970 onde mais de 90% dos nossos atletas atuavam no Brasil. Não é a experiência que conduz ao sucesso e sim o talento a serviço de uma organização tática que extraia do atleta o máximo do seu potencial. Lembro que em 1993, na véspera da Copa do Mundo que ele ajudou o Brasil a conquistar, o nosso técnico elogiava a Parmalat e São Paulo FC por manterem no país a base da seleção brasileira. O que mudou então?

Induzir o Robinho a deixar o país para se tornar um selecionável sem considerar a importância que este atleta representa para o futebol dentro do país, é no mínimo roubar a alegria do povo. E, quem deve roubar a alegria do povo brasileiro são os treinadores dos clubes e das seleções estrangeiras, e não o nosso.

 

 * Este artigo representa apenas a opinião do diretor-presidente da DFS Gol Business, e não a opinião das entidades em que o referido autor esta inserido.

Por : admin /Abril 20, 2005 /Artigos

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